6.7.14

Campo de batalha

A vida, pelos inúmeros obstáculos que oferece, pelos desafios constantes que temos de enfrentar, pelas dificuldades e desafetos que temos que vencer, se assemelha a um campo de batalha em que o inimigo parece, às vezes, muito superior em força, estratégia e número.
A cada batalha vencida, muitas vezes, corresponde uma derrota vergonhosa. A cada inimigo derrotado, correspondem outros tantos a vencer. E a luta parece não ter fim.

É nesse momento que surge o mais poderoso inimigo, aquele que nos faz derrotados, antes mesmo de começarmos a lutar  ...o conformismo.

Transformando-nos em seres sem vontades, sem expectativas, sem esperança, esse inimigo feroz nos submete e tira-nos o ânimo de viver. Isso, porém, só acontece, quando consideramos um único significado do verbo conformar que pode atuar como verbo transitivo, ou pronominal.
O dicionário nos aponta as seguintes opções

  • v.t. -Formar, dispor, configurar. Pôr de acordo com: conformar o procedimento às palavras.
  • V.pr. - Acomodar-se, resignar-se, submeter-se: conformar-se com as circunstâncias.

 Ora, já que conformar também é formar, dispor, cabe a cada um dar forma à sua própria vida, e dispor dela como lhe aprouver, contanto que não esteja isolado, por isso, precisará formar com...
A vida não é realmente uma brincadeira e as dificuldades, embora possam ter diferentes origens, são comuns a todos os seres que habitam o planeta.
O que não se pode fazer é desistir da luta, desanimar, enfraquecer-se...
Nossa maior força está na ação, no enfrentamento das dificuldades, com confiança e bom ânimo. Agindo sempre de forma correta, apesar das incorreções do mundo, acabaremos por alcançar a vitória.


Se cremos numa justiça superior à dos homens - e ela é real - temos que acreditar que, se fizermos a parte que nos cabe, venceremos as batalhas que se apresentarem.
Não podemos nos responsabilizar por, nem querer controlar, ações alheias, mas sem dúvida podemos e devemos fazê-lo com nossas próprias ações.
Dessa forma, não dê trégua ao inimigo. Não se resigne, não se renda, não se entregue. Lute para vencer e vença.

Rosa Maria Ferrão

12.1.14

Considerações sobre a velhice


Peço a compreensão das amigas politicamente corretas e a contribuição das cínicas inveteradas, como eu. Desculpem, gostaria de ser uma doce sessentona convencida de que a velhice é um estado de espírito, mas a vida me prova ao contrário. Além do mais, se quiserem ler crônicas otimistas Martha Medeiros e Lya Luft que acham chique ser idosa, que consideram que velho paralisa na terceira idade e esquecem que a décima idade já chegou e a gente nem sabe mais o que é isso, deixo que elas escrevam, afinal estão aí pra isso! Meu negócio é rir!! Para não ficar uma velha “sem noção”, escrevo este texto que é fruto do meu profundo interesse pela velhice e pelo bem estar da sociedade. (Eu podia ter organizado os lembretes por “família, trabalho, lazer higiene e saúde”, mas decidi já ir me acostumando com o estado de confusão mental provável e deixar a tarefa de me fazer entender para os jovens). Acho bom ler e levar a sério, principalmente as coisas que parecem mais desagradáveis. Aguardo contribuições, mas sei que posso receber cacetadas. Se quiserem passar adiante sem me darem os créditos, não tem problema. Como estou ficando velha, é capaz de receber e-mail com esse texto, dizendo que foi escrito por Luiz Fernando Verissimo e nem lembrar que fui eu que escrevi. Lá vai:

1. Aceite a velhice, recuse metáforas. Terceira idade, melhor idade é p *#@**q*#@*#riu!!! Ser velha não é crime, é apenas constrangedor e a última sacanagem que o Criador comete contra nós.
2. Viva com inteligência o tempo de vida útil que lhe resta. Viva a sua vida, não a dos seus filhos, netos e/ou marido (se é que ainda há algo que possa ser chamado disso). Tenha os seus próprios interesses e projetos. Ainda se tem direito ao sonho. Aliás, em breve teremos direito só aos sonhos.
3. Coma menos, beba menos e fale menos. Velhas magras, sóbrias e contemplativas são menos doentes e chatas.
4. Poupe os seus familiares e amigos (para aquelas que ainda têm alguns) de conversas sobre o passado, doenças e dinheiro. Esses assuntos devem ser tratados, só e somente só, com seu psicoterapeuta. Em caso de emergências, a exceção é aquela sua amiga que já teve dois AVC’s e não tem condições de reagir.
5. Não aborreça ninguém com os relatórios das suas viagens. As viagens de velhas são interessantes só pra elas mesmas. Aprenda a ser concisa, comente apenas o destino e a duração da viagem. Se por algum milagre, alguém perguntar mais alguma coisa, procure responder com monossílabos.
6. Escolha um bom médico. Ele sim, vai ser um pai, irmão, marido e amigo querido. Não se automedique. Não há nada mais irritante do que velha metida a curandeira.
7. Não arrisque cirurgias plásticas rejuvenescedoras. A chance de ficar mais feia é altíssima e a de ficar mais jovem é baixíssima.
8. Use seu dinheiro com critério. Gaste em coisas importantes e evite economizar demais. Para que deixar herança para as noras e genros que mal lhe aturam ou sobrinhos e netos que mal lhe conhecem?
9. Velhice não nos dá o direito de ser mal educados. Nada de falar de boca cheia, emitir sons e odores indesejáveis, cutucar dentes, etc… Atenção redobrada se você já não era nenhuma dama na juventude. Casca grossa só piora depois de senil.
10. Faça uma guerra sem descanso aos farelos que insistem em se alojar nos cantos da sua boca (nos velhos, eles preferem os queixos). Você notou que tem sempre um filho de plantão passando um guardanapo na boca das mães velhas?!!
11. Só masque chicletes na ausência de testemunhas. Não corra o risco de acharem que você está ruminando ou falando sozinha.
12. Pense muitas vezes antes de se aposentar. Trabalhar tem muitas vantagens, além do dinheiro. A principal dela é para sua família: são seus colegas de trabalho que vão ter que lhe aguentar a maior parte do tempo.
13. Cuidado com a nostalgia e o otimismo. Velhas tristes são chatíssimas. Velhas alegres demais, mais ainda. Não se ofereça para ir a carnaval fora de época com seus sobrinhos. Fora de época é você. Não tenha certeza que vai ser uma companhia agradável em acampamentos, raves e shows de rock. Um ataque cardíaco pode acabar com a festa de todo mundo.
14. Se foi mística, esotérica ou engajada na juventude, controle-se. As pessoas a aguentavam quando os hormônios estavam a seu favor, agora elas podem querer realizar o desejo de matá-la que tinham no passado, para acabar com a tortura das suas pregações.
15. Leia muito. Ainda há tempo para gostar de aprender. Velhice pode trazer experiência, não sabedoria. Ter um livro sempre à mão também serve para o caso de sua surdez não permitir acompanhar a conversa. Todos vão adorar não ter que repetir aos gritos respostas e perguntas “sem noção”.
16. Tenha o máximo de cuidado com a higiene. Velha fedida é duro de aguentar. Ah, cheirando o perfume francês vencido, também.
17. Não acredite nos colegas otimistas que dizem que não tem nada demais usar minissaias, fio dental, blusas justas, figurinos sadomasoquistas ou decotes provocantes. Tem sim, eles provocam atentado a estética. E riso descontrolável, também.
18. Cuidado com a maquiagem. Já notou que velhas vão ficando parecidas com velhos e ambos com travestis? Maquiagem pesada só serve para reforçar a personagem.
19. Seja avó dos seus netos, não mãe ou babá. Por isso nem pense em educá-los ou em comprometer o seu tempo com tarefas chatas de ir buscar na escola, festinhas, natação, inglês, etc., mil vezes. Ser folguista de babá, nem pensar!!! Se a sua nora for chata, esta é a chance perfeita de sacaneá-la, deixando que ela faça sua obrigação de mãe. Não tenha remorso, por mais que você se esforce nunca vai conseguir sacaneá-la mais do que ela a você. Lembre-se de que o seu filho agora deve obediência a ela e não mais a você.
20. Se alguém perguntar como vão os seus netos, não precisa contar tuuuuudo! Evite discorrer sobre sua (deles, óbvio!!) inteligência excepcional, beleza rara, fantásticas habilidades esportivas e genialidade com a tecnologia. Lamento informar que todos eles são iguais e assim, agora.
21. Não seja uma sogra chata, gratuitamente. Só se tiver um bom motivo. Lembre-se de como era a sua (ou as suas) e passe a limpo. Agora que já sacou que não tem como mudar o seu marido, cuidado para não apontar as armas para as noras e genros. Falar mal desse tipo de gente é deplorável. Se tiver genro, dê sempre razão a ele, se sua filha for um pé no saco. Lembre-se que, para implicar com ela, ele vai sempre lhe defender quando ela comentar como você é chata, controladora, antiquada, desinformada, espaçosa, blá, blá…
22. Seja machista. Ainda é tempo. Caímos no conto do feminismo e nos lascamos.
23. Nunca, nunca, nunca mesmo, visite o seu filho sem que seja convidada, pelo menos 3 vezes, e nem se meta na casa deles de mala e cuia.
24. Cuidado ao atender ao telefone. Se responder “Estou levando a vida como Deus quer”, quando lhe perguntarem “Como vai?”, isto pode provocar um problema irreversível na sua linha telefônica, ela pode ficar muda por semanas. Você vai ver como a ligação dos amigos e filhos vão rarear, cada vez mais. Se quiser que a linha dê um “tilt” para sempre, pode responder aos seus filhos com a simpática frase: “Ah, lembrou de que tem mãe?”. Mesmo que eles lembrem, vai ser difícil telefonar para você.
Esta lista pode ser usada como teste (mulheres adoram testes) para saber o seu grau de “sem-noçãozice”. Mas se você for chata mesmo, pode aplicar nas suas amigas. Não confesso o meu grau, nem sob tortura. Mas confesso que já fiz alguns estudos de caso.

Acredito piamente que vaso ruim não quebra e tento ficar cada dia pior. Ela pode ser usada também como corrente. Mande para as 10 mulheres que mais lhe irritam tentando parecer jovens e vai se sentir ótima. Afinal velha é que nem palhaço, se alegra vendo o circo pegar fogo. Se não mandar e quebrar a corrente, o castigo vem na hora, porque velha decrépita é alvo fácil até para corrente imbecil.
Salvem o planeta e passem adiante!
                                                                                                                                                        (Desconheço a autoria)