7.5.10

Dia das mães?


Domingo, mais uma vez, como em todo ano, comemora-se o "Dia das Mães". E eu pergunto, sem ser original, mas sinceramente: Que dia das mães?
Mãe é função em tempo integral. É dia e noite. A gente é mãe, não fica mãe, não está mãe. É mãe e pronto.
Filhos são prolongamentos que não se descolam jamais, gostem ou não. O cordão é cortado na maternidade, mas fica lá. Pra sempre. Independência? A deles, né? Porque a da mãe...pode sentar e esperar. Mesmo aquelas modernosas e descoladas, vira e mexe, se deparam com essa gloriosa verdade.
Quando nasce um filho, a mãe não pariu uma criança. Ela traz a vida ao mundo, traz a possibilidade no que está por vir e essa responsabilidade, ao mesmo tempo que a torna poderosa, apavora.
Nessa aventura, como disse o Caetano, "tudo é perigoso tudo é divino e maravilhoso".

17.4.10

Máscaras no Corel Photopaint


Eita preguiça da gota serena


Tem chovido há mais de uma semana de manhã à noite. Raios devassos arrebentam-me o computador e a televisão. Os livros devorados com ânsia, esgotam-se. O gramado do jardim todo coberto de um verde úmido e saltitante, só através das janelas da sala. A chuva batendo forte no telhado... Gente! Vai dando uma leseira...uma vontade de ir pra cama, fechar os olhos e ...dormir.

21.10.09

Falemos de amor



Falar de amor é tentar colocar em palavras aquilo que é indizível. E, mesmo assim, tentamos...
Amar, para nós, é apenas a pretensão humana de saber o que é o amor. E, mesmo assim, tentamos...
O amor transcende nossas desastradas tentativas e, por isso, vira e mexe, falhamos. E aí dizemos que o amor acabou... Como assim? Se é Amor, não acaba nunca. Se acabou, não era. Se terminou, nunca foi.
É essa a energia que mantém a vida, o mundo, o universo.
É a profundidade dessa força que eleva e purifica.
Em nossa visão distorcida dizemos coisas como “morreu de amor; matou por amor”! E essa insânia é alimentada por romances, por novelas. Deus Meu!! De Amor e por Amor, se vive!!!! Ele não é essa coisa piegas, chorosa, doentia, boboca...É força e doçura, é luz e treva, é alegria e melancolia, é sol e chuva ...e, sobretudo, é poder! O único, pois só esse sentimento é capaz de transformar, vivificar, redimir, abençoar e fazer renascer da morte para uma existência real. Quando aprendermos a amar realmente, saberemos disso.

18.10.09

Dupla face


Há dias em que sou
A que se oculta
se dilui
em sombras
Se esgueira
e se enfurna
Se esfuma e dissolve
na distância...

De repente brilho
A luz me invade
Macia e tépida
como cobertor no frio
Aquece...
E a vida faz outra vez sentido

4.9.09

Pondo cor na vida


Há momentos em que a vida nos parece tão aborrecida, vazia e sem sentido que se tem a impressão de que tudo à volta ficou
cinzento...
monocromático
repetitivo
sem graça.
No entanto, uma vez que o mundo é todo colorido, percebe-se logo que essa é uma falsa impressão, fruto de uma visão íntima, subjetiva, e não uma realidade externa...
Sendo assim, cabe a cada um, e não ao mundo, dar um jeito nessa situação.
É preciso pôr um pouco de cor em nossa vida, mesmo que seja numa pequena parte dela.
A história particular não é um arco-íris? Ora, que novidade, a de ninguém é, ainda que se pense o contrário.
É necessário fazer um esforço! Esquecer a angústia, o desânimo, a preguiça, o medo, a revolta, a mágoa, a indiferença, o orgulho, a inveja, o ódio... Enfim, fazer uma limpeza completa nos sentimentos que tiram o brilho e a cor da vida!
É possível que, mesmo assim, ainda permaneçam algumas áreas cinza, mas, caso se insista em cultivar esses males, o futuro, com certeza, será completamente negro.

3.9.09

O tempo corre, mas as mudanças se arrastam


EÇA DE QUEIROZ

O escritor Eça de Queiroz (1845-1900) é uma referência literária em todo o mundo. Ele é o grande mestre do romance português moderno e certamente o mais popular entre os escritores de Portugal do século 19.
Na citação abaixo, temos traçado por Eça o perfil da sociedade portuguesa em 1871:
“ Aproxima-te um pouco de nós, e vê.
O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos vão abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas idéias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima para abaixo. Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína econômica cresce, cresce, cresce... O comércio definha. A indústria enfraquece. O salário diminui, O Estado é considerado na sua ação oficial como um ladrão e tratado como um inimigo.
Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguel. A agiotagem explora o juro.
De resto a ignorância pesa sobre o povo como um nevoeiro. O número das escolas só por si é dramático. O professor tornou-se um empregado das eleições. A população dos campos, arruinada, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinha e de ervas, trabalhando só para o imposto por meio de uma agricultura decadente, leva uma vida de misérias, entrecortada de penhoras. (...) Apenas a devoção perturba o silêncio da opinião, com padres-nossos maquinais. (...)
E a certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: "o país está perdido!". (...) e que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete, que de norte a sul, no Estado, na economia, na moral, o país está desorganizado - e pede conhaque!”

16.8.09

Para quem gosta de brincar com fotos



Faça uma visitinha a esta página.
http://www.photofunia.com
É divertida (não engraçada), simples e rápida. Veja os exemplos do que pode ser feito.

21.7.09

moto perpétuo



Até quando, meu Deus?
Bom dia, caros ouvintes, lindo dia música no ar notícias nacionais e internacionais!
Torneira aberta creme de barba navalha loção banho.
Terno e gravata.
Café pão manteiga geléia queijo iogurte.
Sol fraco ventos frios chuva no decorrer do período.
Carros caminhões ônibus pessoas pessoas pessoas avenidas sinais edifícios casas cachorro freada...Quase!
Quer me matar, desgraçado?
Manhê, me compra aquele tênis? Compra, hein, manhê? Cê compra? Hein, mãe? Responde!
Com esse preço? Nem pensar!...
Lojas vitrines escadas rolantes elevadores portas portas portas.
Cartão-de -ponto:plim plim...
Cafezinho.
Assina papéis assina papéis assina...
Carimbo carimba carimba.
Almoço. Arroz grudento feijão ralo croquete gorduroso salada murcha. Goiabada e queijo minas.
Reunião. Gastos demais dinheiro de menos contenção de despesas corte de funcionários.
Crise crise crise.
Desemprego.
Casa de subúrbio trem escola pública jóias no prego mulher mau-humor. Brigas brigas brigas.
Classificados sapato furado calos varizes frustrações não não não.
Dinheiro final paciência final casamento...fim.
Camisa suada surrada biscates fraqueza desânimo frio botequim.
Cachaça cachaça cachaça doença enfermaria roupa lavada.
Volta à vida vergonha na cara.
Biscates trabalho emprego dinheiro.
Nova casa
nova mulher
novo filho.
Queijo minas e goiabada. Murcha salada gorduroso croquete ralo feijão grudento arroz. Almoço.
Carimba carimba carimbo.
Assina papéis assina papéis assina... Cafezinho.
Plim plim: cartão-de -ponto.
Portas portas portas. elevadores escadas rolantes vitrines lojas
Nem pensar!...Com esse preço?
Responde! Hein, mãe? Cê compra? Compra, hein, manhê? Manhê, me compra aquele tênis?
Desgraçado, quer me matar?
Quase! freada cachorro casas edifícios sinais avenidas pessoas pessoas pessoas ônibus caminhões carros
No decorrer do período chuva frios ventos fraco sol.
Iogurte queijo geléia manteiga pão café.
Gravata e terno.
Banho loção navalha creme de barba aberta torneira.
Internacionais e nacionais notícias no ar música dia lindo, caros ouvintes, bom dia!
Meu Deus, até quando?

O nosso cotidiano é uma sucessão de atos repetitivos, por força de hábito, praticados frequentemente e dos quais, achamos, não há muito como escapar.
Acordamos, fazemos as refeições, vamos aos mesmos lugares, pelos mesmos caminhos. Assistimos aos mesmos programas nos mesmos canais de televisão e ao mesmo estilo de filmes. Lemos o mesmo jornal e só ouvimos um único tipo de música.
Damos atenção sempre às mesmas coisas, fazemos tudo do mesmo jeito e nos negamos a pensar de forma diferente.
Essa é a armadilha em que caímos. Até porque a rotina é bastante confortável e, é verdade, muitas vezes necessária!
Os hábitos cristalizados, no entanto, embotam a criatividade, restringem o crescimento pessoal e minam a alegria da tentativa, da descoberta, da aventura, enfim, de viver.
Vamos pôr um pouco de tempero em nossas vidas e ousar mudar pelo menos algumas coisas; procurar dar outro enfoque ao cotidiano.
Talvez a gente se surpreenda agradavelmente com o resultado! E, mesmo que isso não aconteça, nós nos saberemos seres capazes de tentar!